É um estudo teórico de natureza reflexiva, que consiste na ordenação de idéias sobre um determinado tema. A característica básica da dissertação é o cunho reflexivo-teórico. Dissertar é debater. Discutir. Questionar. Expressar o nosso ponto de vista, qualquer que seja. Desenvolver um raciocínio, desenvolver argumentos que fundamentem nossa posição. Polemizar, inclusive, com opiniões e com argumentos contrários aos nossos. Estabelecer relações de causa e conseqüência. Dar exemplos. Tirar conclusões. Apresentar um texto com organização lógica de nossas idéias.
A dissertação consiste na explanação ou discussão de conceitos ou idéias. Pode ser expositiva ou argumentativa.
Na dissertação expositiva, o autor apresenta uma idéia, uma doutrina e expõe o que ele ou outros pensam sobre o tema ou assunto. Geralmente ele faz a amplificação da idéia central, demonstrando sua natureza, antecedentes, causas próximas ou remotas, conseqüências ou exemplos. Na dissertação argumentativa, quer provar a veracidade ou falsidade de idéias. Pretende convencer o leitor ou ouvinte, dirige-se à sua inteligência através de argumentos, de provas evidentes, de testemunhas.
Se a dissertação é objetiva, o tratamento dado ao texto é impessoal, com argumentação lógica partindo de elementos gerais e indo para os particulares. Na dissertação subjetiva, o autor dirige-se não só à inteligência, mas também, de modo pessoal, aos sentimentos de quem ele pretende convencer. Além da emoção, às vezes há ironia, sarcasmo, ridículo. São partes importantes da dissertação: introdução, desenvolvimento e conclusão.
Resumindo: Dissertar é:
I. Expor um assunto, esclarecendo as verdades que o envolvem, discutindo a problemática que nele reside;
II. Defender princípios, tomando decisões
III. Analisar objetivamente um assunto através da seqüência lógica de idéias;
IV. Apresentar opiniões sobre um determinado assunto;
V. Apresentar opiniões positivas e negativas, provando suas opiniões, citando fatos, razões, justificativas.
Sendo a dissertação uma série concatenada de idéias, opiniões ou juízos, ela sempre será uma tomada de posição frente a um determinado assunto - queiramos ou não.
Procurando convencer o leitor de alguma coisa, explicar a ele o nosso ponto de vista a respeito de um assunto, ou simplesmente interpretar um idéia, estaremos sempre explanando as nossas opiniões, retratando os nossos conhecimentos, revelando a nossa intimidade. É por esse motivo que se pode, em menor ou maior grau, mediar a cultura (vivência, leitura, inteligência...) de uma pessoa através da dissertação.
Podemos contar uma estória (narração) ou apontar características fundamentais de um ambiente (descrição) sem nos envolvermos diretamente. A dissertação ao contrário, revela quem somos, o que sentimos, o que pensamos. Nesse ponto, tenha-se o máximo de cuidado com o extremismo. Temos liberdade total de expor nossas opiniões numa dissertação e o examinador salvo raras exceções - sabe respeita-las. Tudo o que expusermos, todavia, principalmente no campo político e religioso, deve ser acompanhado de argumentações e provas fundamentais.
Para fazer um boa dissertação, exige-se:
a) Conhecimentos do assunto (adquirido através da leitura, da observação de fatos, do diálogo, etc.);
b) Reflexões sobre o tema, procurando descobrir boas idéias e conclusões acertadas (antes de escrever é necessários pensar).
c) Planejamento:
1. Introdução: consiste na proposição do tema, da idéia principal, apresentada de modo a sugerir o desenvolvimento.
2. Desenvolvimento: consiste no desenvolvimento da matéria, isto é, discutir e avaliar as idéias em torno do assunto permitindo uma conclusão.
3. Conclusão: pode ser feita por uma síntese das idéias discutidas no desenvolvimento. É o resultado final.



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